“A virtude de um Homem não deve ser avaliada pelo que ele fez de grandioso, e sim, pelo que ele faz de comum.”

Celso Leal (anote este nome)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Os Nardoni e nós: o show midiático

Nem o Papa e a Madonna chegando juntos a um evento talvez não conseguissem atrair tantos jornalistas à sua volta. A fotografia publicada hoje pelos jornais mostrando o advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval, cercado por um mar de câmaras e microfones por todos os lados, ao chegar para mais uma etapa do julgamento, resume bem o show midiático montado no tribunal do Fórum de Santana.


Não se fala de outra coisa desde segunda-feira. A pergunta que me faço diante deste espetáculo: a imprensa mobilizou seus batalhões para atender a um interesse do público ou o público não fala de outra coisa diante da overdose da cobertura do julgamento em todas as mídias?


Na capa do jornal, no rádio do táxi, nos noticiários da televisão e da internet, o dia inteiro somos bombardeados com a trágica história da menina Isabella, de 5 anos, que morreu ao ser jogada pela janela do prédio onde morava, depois de ser espancada, segundo os peritos. Os acusados pelo crime, que chocou o país há dois anos, são o pai e a madrasta da menina.


A esta altura do campeonato, com todos os depoimentos que já foram feitos e as provas apresentadas pela polícia, não conheço ninguém, a não ser os advogados da defesa e a família dos acusados, que ainda tenha alguma dúvida sobre a responsabilidade de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte de Isabella.


Mais do que todas as perícias e testemunhos, foi a entrevista que os dois deram ao “Fantástico”, dias após o crime, e repetida esta semana no “Jornal Nacional”, que me deu a certeza de que não havia nenhuma outra pessoa no apartamento na hora do crime, como eles alegaram.


Em vez de se revoltarem e mostrarem indignação ao serem acusados pelo assassinato da menina, como qualquer pai faria, eles pareciam acuados, sempre na defensiva, tentando explicar o inexplicável.


Cabe agora à defesa apenas procurar atenuantes para o bárbaro crime, se é que isso ainda é possível, pois tudo caminha para a condenação dos dois à pena máxima, sem surpresas no julgamento. Mesmo assim, o interesse da imprensa e da população não arrefece, atraindo a cada dia novos personagens para a sala de julgamento e as imediações do tribunal, onde os jurados ora se emocionam, ora fazem força para não cair no sono.


Se o trabalho do promotor Francisco Cembranelli parece fácil neste caso, a tarefa da da defesa é um desafio quase impossível: provar a inocência dos réus por falta de provas. Isto ficou claro na terça-feira quando o juiz Maurício Fossem advertiu a defesa por chamar Alexandre Nardoni de vítima durante uma pergunta.


“A única vítima deste caso está morta”, cortou o juiz.


Roberto Podval, o advogado da defesa, ainda tentou argumentar, de forma patética, mas não convenceu ninguém:


“Todos são vítimas deste fatídico episódio”.


Todos quem? Como aqui ninguém é dono da verdade, deixo o veredicto para os senhores jurados, o que pode levar ainda alguns dias, e os leitores deste Balaio. Quem matou Isabella?


Autor: Ricardo Kotscho -

segunda-feira, 8 de março de 2010

Aécio Neves

Globo descobre o óbvio: Aécio é candidatíssimo
à presidência. É só José Serra sair logo da frente.


Cansada de brigar com a notícia e após descobrir que do mato do Serra não sai coelho, a Maison Marinho resolveu fazer o favor de fornecer a seus leitores um mínimo de verdade e informação correta. Ao fazer isto ela divulgou o que tenho noticiado neste blog há mais de um mês. O mérito não é meu que sou apenas um velho repórter político. O que há é que o Globo é a síntese do banditismo jornalístico e da desinformação deliberada.
Em sua edição de hoje, o Globo noticia, na página 2, que o staff de Serra começou a desconfiar das verdadeiras intenções de Aécio e a supor (imaginem só!) que o astuto mineiro está “tentando empurrar” o arrogante paulista “para fora do tatame presidencial”.
Tudo isto que só agora os incautos leitores do Globo estão sabendo foi urdido há exatos três meses, pelo próprio Aécio, em confabulações com Ciro Gomes e Tasso Jereissati (seus fraternos amigos cearenses) e mais Cesar Maia (o dono de fato do DEM), além do próprio presidente do PSDB, senador pernambucano Sérgio Guerra que, discreto, (durante as sucessivas reuniões) apenas balançava a cabeça e murmurava: “vou fazer de conta que não ouvi nada disso que vocês estão falando”.


O diagnóstico


O diagnóstico preliminar dos conspiradores era o de que Serra com sua prepotência e decorrente incompetência, estava pondo tudo a perder: enquanto Lula pulou na frente antecipando a campanha, carregando nas tintas ideológicas e transformando a eleição num plebiscito, a Oposição assistia a tudo paralisada pelo teimosia do submerso governador paulista que , monocórdio, repetia que só decidiria sobre sua candidatura em março.
Nesta época, o presidente nominal do DEM Rodrigo Maia ( filho do chefe Cesar) deu o primeiro aviso: “ Estamos no pior dos mundos, sem discurso e sem candidato”.


A ação


Ao diagnóstico, seguiu-se imediatamente a ação: Ciro foi a Minas, xingou Serra de “o Coiso” e declarou que gostaria de ser o vice de Aécio. Jereissati começou a falar mal da “ditadura” imposta pela cúpula paulista do PSDB e Aécio deu um ultimato a Serra, exigindo um definição até janeiro.
Janeiro chegou, Serra continuou enrolando e Aécio, com maestria, executou a segunda parte do plano: saiu do páreo com elegância, “renunciou” à candidatura presidencial, deixou claro que não seria vice e denunciou a falta de discurso, bem como a estratégia equivocada do partido.
A última parte da conspiração (que virou luta aberta e declarada) foi realizada há dois dias, em Belo Horizonte, durante a inauguração (como parte da homenagens a Tancredo no seu centenário), quando Serra foi estrepitosamente vaiado pelos tucanos mineiros quer exigiam “Minas na presidência”.
Aécio agora vai apenas aguardar. Já avisou que pode estudar a hipótese de sua candidatura à presidência, desde que ela venha no bojo de um movimento nacional (no âmbito oposicionista, é claro) e que “tenha cheiro de povo”. Há exatos vinte anos, seu avô Tancredo saiu do palanque das Diretas Já para uma vitoriosa eleição presidencial indireta.